Tudo já foi dito, mas é preciso dizer de novo

Dia da Terra. Foi o cientista inglês James Lovelock que elaborou a hipótese Gaia segundo a qual o planeta Terra é um imenso organismo vivo, onde todos os elementos interagem-se uns com os outros. Não vivo como nós somos, seres vivos, mas como um sistema complexo, adaptativo e auto-organizado. O nome Gaia é em homenagem à deusa grega, mãe da Terra e dos seres vivos.

Tudo está ligado a tudo, desde um microcosmo quântico até a imensidão do espaço. O homem sempre entendeu que é dono da natureza e que pode dominá-la, mas não é assim. A natureza se vinga de nós, da nossa ciência, da nossa tecnologia e do nosso poder.

Toda vez que há uma catástrofe, voltamos, o nosso olhar para a natureza. Sabemos que nossa forma de explorar a Terra como planeta vivo é nociva. A pandemia do coronavírus é um desses momentos que deveriam trazer muitas lições. 

Não somos apartados da natureza. Ao ser explorada mais do que ela pode dar, a Terra perde o equilíbrio dinâmico e dá sinais de esgotamento, retaliando através de respostas fortes, como nos mostram o aquecimento global; as grandes catástrofes naturais, cada vez mais frequentes, e as pandemias.

Faz tempo que a Terra tem dado esses sinais. O homem conhece a fragilidade planetária, mas mesmo assim continua destruindo sem limites. 

A Amazônia brasileira, por exemplo, nunca foi tão destruída, depois que a extrema-direita chegou ao poder, com os desmontes dos órgãos de fiscalização, num governo que cala e consente com as ações predatórias.

Já deveríamos ter aprendido as lições com as nossas dores e sofrimentos. Infelizmente não aprendemos. Como disse o filósofo francês André Guide, “tudo já foi dito, mas, como ninguém ouve, é preciso dizer de novo”.

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