Tempo do fazer e do ter x tempo do ser e do estar.

Antes da pandemia estávamos acostumados ao tempo do “fazer” e do “ter”. Tudo mudou durante o isolamento. Desacelerados, o tempo já não é mais medido como antes. 

Que dia é hoje? Que horas são? As horas são confusas e os dias se atropelam entre ontem, hoje e amanhã. A noção do tempo se mistura. 

Perdemos as rotinas daquelas atividades que separavam os fins de semana dos dias normais. Às vezes fica a impressão que não há fins de semana ou dias úteis.

A alteração da rotina tem gerado mudanças nas nossas vidas. Desacostumados com o tempo disponível, ficamos desorientados e nos perdemos; às vezes até levamos mais tempo para concluir as nossas tarefas. 

Tenho aproveitado toda essa situação para refletir sobre o real valor do tempo na minha vida. Paro, penso e faço perguntas a mim mesmo: por que não temos tempo para fazer as coisas que gostamos? O que tem acontecido com o tempo? Quais são e quais serão as prioridades na minha vida? O que me falta? 

Depois que tudo passar, como conduzirei melhor o tempo? Quais leituras vou priorizar? Quais músicas quero ouvir? Vou meditar mais? Vou ter mais paciência com a espera? E com as pessoas? Com quem quero me relacionar mais e melhor? Como vou sentir melhor o tempo?

Eu sei que estamos acostumados ao tempo do “fazer” e do “ter”. É difícil mudar hábitos de vida. Mas a pandemia está nos trazendo uma oportunidade única e preciosa de priorizarmos as nossas escolhas. É um momento de aprendizados e, quem sabe, de reintegrarmos às nossas vidas o tempo do “ser” e do “estar”. Ainda há tempo!

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