Retrocessos no campo dos valores

O governo Bolsonaro orientou a diplomacia brasileira a frisar que “gênero” é apenas biológico, ignorando os avanços do mundo civilizado na luta contra as desigualdades e preconceitos. 

A posição do Brasil causou mal-estar e perplexidade na ONU esta semana.

Como relatou Jamil Chade, blogueiro do UOL e correspondente em Genebra, até aliados do governo Bolsonaro, como Israel e Chile, recusaram a apoiar a decisão brasileira. Os canadenses, escandinavos e países europeus dizem que o termo não pode ser eliminado. Só a Arábia Saudita apoiou a nova posição do governo brasileiro.

Sociedades e países avançados consolidaram o reconhecimento de que a espécie humana comporta toda uma gama de identidades de gênero. Os avanços da ciência e das liberdades individuais permitiram que “novas” caras e identidades ganhassem reconhecimento e representação. 

A sigla LGBTQI+, é um esforço para representar essas identidades e mostra a complexidade e as especificidades de cada ser humano, que abrange Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais e a sigla +, que inclui tudo o mais, como assexualidade, agênero, andrógino, bigênero e outros. 

A diferença entre as pessoas não é somente cultural e inclui fatores genéticos, anatômicos, fisiológicos e hormonais. 

Os tabus e as proibições sempre empurraram as pessoas que transcendem a lógica binária homem-mulher para a clandestinidade, vítimas do preconceito e da discriminação. Por isso não é possível que tenhamos retrocessos. 

Contudo, o Brasil caminha na direção contrária e rapidamente vai rasgando a sua reputação diante do mundo civilizado. No campo dos valores vai se alinhando com os países mais retrógrados de nosso planeta.

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