Recordar é viver!

Nas mais antigas recordações da minha infância estão os caminhos montanhosos que me levavam até a escola primária, onde estudei por quatro anos. 

Quando chegava o inverno os belos campos cobriam-se de orvalhos esbranquiçados, manchados de flores de São João. No verde-claro das montanhas também surgiam os ouros dos ipês e, de longe, destacava-se o planalto azul, com os seus vales profundos.

Naquela imensidão verde, eu gostava de observar os Cipós de São João, uma planta silvestre, cheia de flores alongadas e alaranjadas, que produz grandes inflorescências nos meses frios. É uma planta normal, mas ela dava um colorido todo especial àquela paisagem e também à minha infância. 

Por aqui o cipó de S. João é muito usado para cercas, muros e pérgolas. Sempre que vejo esta planta eu trago as mais antigas recordações da minha infância; dos tempos em que corríamos atrás das borboletas, que invadiam os nossos caminhos. A vida era mais colorida com aquelas borboletas amarelas, azuis e vermelhas. Eram bons tempos; caminhávamos dando pulinhos, despreocupados com o mundo e com os rumos da humanidade.

Há muitas flores no mundo, e a flor de S. João não é a mais bela; no Brasil nem é tão conhecida. Mas sempre que vejo uma, ela enriquece o meu dia. 

Ela me faz relembrar com alegria essa eterna paisagem da minha infância, que me leva para as manhãs mais antigas. Recordar é viver!

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