Esperançosos e realistas

A pandemia se alastra com bastante velocidade. Demorou mais de 3 meses para atingir 1 milhão de casos no mundo, em 02/04, e dobrou em apenas 13 dias, chegando a 2 milhões de casos no dia 15/04, conforme dados da Universidade Johns Hopkins, dos EUA.

– Por falta de testes, os casos no Brasil estão subnotificados. O primeiro estudo sobre o alcance das infecções, feito pela Universidade Federal de Pelotas e pelo governo gaúcho, e divulgado recentemente, indicou que o número de infectados é pelo menos sete vezes maior do que aquele registrado oficialmente. 

– Segundo especialistas, ainda estamos longe do pico, que deve ocorrer entre maio e junho; e os hospitais públicos de São Paulo e do Rio já estão com os seus leitos de UTI com mais de 70% de ocupação pela Covid-19;

– Os doutores negacionistas, sem analisar as complexidades e todas as variáveis, disseram que o vírus não suporta o calor. No momento estamos com o quentíssimo estado do Amazonas entrando em colapso pelo Covid-19. 

– Acreditava-se que o grupo de risco era só das pessoas maiores de 60 anos, principalmente daquelas com comorbidades. Para contrariar, o vírus mostrou que 25% dos óbitos são de pessoas fora dos “grupos de risco” da doença.

– Os negacionistas fazem muitas comparações com países evoluídos que não adotaram as mesmas medidas restritivas que nós, mas ignoram que eles têm melhor estrutura e adotam outras medidas preventivas, como testes e monitoramentos contínuos, além da conscientização de toda a população.

– No momento as medidas de distanciamento social estão funcionando bem e representam a única maneira de ganharmos mais tempo, para que os sistemas de saúde se estruturem melhor; também para mudar os nossos hábitos e preparar a economia para enfrentar os desafios posteriores. 

– Não dá para iludir que teremos rápido “retorno à vida normal”, nem mesmo no melhor cenário. Vai demorar e nem sabemos como será esse futuro. As medidas de distanciamento serão relaxadas gradualmente pelas autoridades, conforme a existência de testes e do acompanhamento da evolução da pandemia. 

– Quem pode, tem o dever de ficar em casa. Precisamos cair na real de que estamos enfrentando uma realidade de guerra para a qual nunca imaginamos. Isso exigirá muito esforço e resiliência para enfrentarmos os desafios que virão. 

– Enquanto isso temos que acreditar nos estudos científicos. Nem otimismo exagerado, nem pessimismo exagerado. O melhor é ser “cético esperançoso”, já dizia o mestre Suassuna. Sejamos realistas esperançosos

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