Pequenos e grandes espetáculos da vida

Estava alongado no sofá, lendo e ouvindo Tom Jobim, e de repente escutei o barulho de um pássaro em apuros. Era um filhote de curruira que havia entrado em casa e não conseguia sair. 

Por várias vezes me abaixei para pegá-lo, mas ele sempre escapava com um pulinho ligeiro; já não era um filhote tão bebê. Fiz “fiu-fiu” e nada dele me obedecer para tomar o rumo certo da saída. 

No começo ele estava assustado, mas depois viu que eu não era tão perigoso e ficou com uma calma de bichinho manso. Mas mesmo assim, quando eu chegava perto, ele saia pulando. Vi que poderia fazer “fiu-fiu” a tarde inteira e não ia adiantar; ele não ia sair da casa e nem me deixar pegá-lo. Rastejei, estalei os dedos, assobiei, andei de quatro e nada de pegar o filhotinho esperto.

Parei um pouco para refletir sobre o que fazer. Foi então que nesse momento a mamãe curruira, ao ouvir os pios do filhote que estava em apuros, apareceu no muro. As mamães sempre sabem onde os filhos estão. 

Aí ele se orientou, tomou coragem e voou para a janela; em seguida olhou desconfiado para mim e se foi para a liberdade. 

É incrível como o mundo nos proporciona grandes e pequenos espetáculos! A natureza sabe das coisas e a vida produz milagres e encantos em todos os momentos.

Aliviado, voltei para a minha leitura, agradeci a suave brisa no rosto, o som dos pássaros e o poderoso dom da vida.

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