Quebrantos e mau-olhados

Conversei com um amigo da roça que está passando por dificuldades pessoais. Ele me contou um pouco das suas agruras e garantiu de pés juntos que está também com mau-olhado ou quebranto. 

Fiquei preocupado com ele, mas como sou cético em relação a essas crenças, disse-lhe que era para se esquecer dessas coisas, erguer a cabeça e seguir adiante. 

Então ele falou que não dá para esquecer, pois muitos de nós somos vítimas do mau-olhado e nesses casos é preciso enfrentá-lo. Segundo ele, há pessoas que invejam as nossas realizações e conquistas, e esse era o problema dele.

Eu observei que não acredito nessas coisas, mas diante da seriedade do rapaz, disse a ele para se cuidar e se benzer em algum lugar. 

Foi então que me mostrou uma pequena figa. Disse-me que estava andando com ela, pois afasta o invejoso, afugenta o quebranto e as doenças. Além disso espalhou sal grosso nos cantos da casa. 

Ainda incrédulo eu disse a ele: “se é assim, está bem…”. Depois pensei comigo mesmo: “se não dá para acreditar, também não precisamos desacreditar, não é? Vai saber…”

O político e o estadista

Conversava com um amigo e ele me chamou a atenção que o Brasil nunca teve um presidente estadista.

“Quem poderia ter sido estadista não foi. Os nossos presidentes são motivos de piada; e olha que estamos piorando!” concluiu ele. 

Em seguida comentamos sobre a falta de grandes nomes na política brasileira. A mediocridade de muitos dos nossos políticos e do sistema de presidencialismo de coalisão refletem a velha e carcomida política de sempre. 

Depois eu fiz a ele um comentário de Churchill, este sim um grande estadista, e que li há alguns dias. Em poucas palavras ele diferenciou o político do estadista:

“Enquanto o estadista se preocupa com a novas gerações, o político se interessa pelas novas eleições”.

As crianças e as tecnologias digitais

Recente matéria do New York Times, replicada na Folha de S. Paulo no último dia 25/12, mostrou que os grandes experts da tecnologia afastam seus filhos de tablets e telefones celulares.

O motivo eles sabem bem. Apesar dos benefícios das telinhas, os riscos de atrasos no desenvolvimento são também elevados, com interferências no sono, no déficit cognitivo e motor, além de obesidade, depressão e ansiedade. 

Exageros ou não, Chris Anderson, CEO de uma empresa de robótica e drones, disse que numa escala entre doces e crack, o vício em tecnologia está mais perto do crack. A agravante é que ninguém sabe o efeito desta dependência no cérebro de uma pequena criança.

O artigo lembra que o CEO da Apple, Tim Cook, disse neste ano que não deixaria seu sobrinho entrar nas redes sociais e Steve Jobs não deixava seus filhos pequenos chegarem perto de iPads.

Bill Gates proibiu os celulares até que seus filhos chegassem à adolescência e Melinda Gates escreveu que gostaria de ter esperado mais.

O fato é que, se os próprios experts da tecnologia condenam o uso, há que se olhar o problema com muito cuidado, buscando o equilíbrio no uso dessas tecnologias com as crianças. Ponderação e bom senso!

Como as crianças também precisam brincar e ler, concluo o post com uma frase do próprio Bill Gates: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história”.

Foto e fonte: Folha de S. Paulo.

São Luiz do Paraitinga


Não há maior prazer do que caminhar pelas ruas de São Luiz do Paraitinga. Elas são belas, harmoniosas e brilham quando inundadas pela luz do sol. 

São ruas que nos ensinam como é bom fazer coisas simples, como caminhar, ver os jardins floridos, contemplar o rio e as montanhas, conversar com as pessoas e observar a vida. 

Às vezes penso que as ruas têm almas e cada uma delas têm os seus segredos. As centenárias ruas de São Luiz também possuem encantadoras histórias da história do Brasil. 

Nos seus becos, travessas e vielas é possível fazer grandes viagens ao passado e perceber de perto a passagem do tempo. 

Por aqui é possível comprovar a importância da simplicidade das coisas, como caminhar numa rua acolhedora e sentir o prazer da vida!

Foto: A.O.

Os sonhos não são bobagens

Eu tinha 7 anos e até então nunca ouvira falar em Papai Noel. Morávamos na roça, não tínhamos televisão e nem brinquedos; nós os fazíamos com mamão, chuchu, pedaços de pau e toda a criatividade do mundo. 

Lembro-me do dia que os meus pais chegaram para mim e minha irmã e nos apresentaram ao Papai Noel. Disseram que poderíamos encomendar presentes, pois o bom velhinho os traria de longe.

Pedi um caminhão basculante e a minha irmã uma boneca. Na manhã de 25 de dezembro de 1970 lá estavam duas caixas imensas, lacradas com fita adesiva, na pequena varanda da casa do sítio. 

Encantando e ávido por verificar o que estava dentro da minha caixa, fui direto ao presente, embrulhado de vermelho. Rasguei o embrulho com a excitação de uma criança que antevê o brinquedo e recebe uma bela surpresa da vida. 

Saí de lá dando pulos e me lembro dos dias seguintes com o brinquedo: fazendo pontes, construindo estradas e expandindo a imaginação. 

Este foi o único Natal em que ganhamos presentes de Papai Noel. Ele não voltou mais; talvez porque algum engraçadinho tenha nos contado que ele não existia. 

Mas o encantamento e a imaginação do Papel Noel ficaram para sempre. Nunca mais me esqueci daquela caixa cheia de emoções e sentimentos, que fizeram brilhar a minha vida. 

Por conta desta forte experiência pessoal eu sempre achei importante que o mundo das crianças seja repleto de fantasias, sonhos e ilusões. A verdade às vezes se esquece de acontecer. 

O mundo real ficará melhor para aqueles que vivenciaram, e ainda vivenciam depois de adultos, mundos de fantasias. Como dizia Shakespeare “os sonhos não são bobagens”.

Uma boa história

Sempre é bom ler uma história interessante, como esta que li na BBC e reconto aqui, aproveitando o espírito natalino:

“Querido Timothy, quero ser seu novo amigo”, escreveu de forma anônima o interlocutor. Em seguida continuou: “Sou um homem velho, de 77 anos de idade, mas eu amo crianças; e, embora não tenhamos nos conhecido, eu já te amo”. Depois concluiu: “Moro no Texas. Vou te escrever de tempos em tempos. Boa sorte”.

O autor da carta foi um dos homens mais poderosos do mundo e durante muitos anos ajudou com com educação e alimentação, Timothy, um pobre menino filipino.

A ajuda era feita através da Compassion International, uma instituição humanitária que auxilia crianças pobres em vários países. Além de ajudar, o homem poderoso se correspondia secretamente com a criança e se identificava como “George Walker”.

Numa das últimas correspondências o menino, sem saber quem era o poderoso patrocinador, agradeceu: “Obrigado por não me esquecer. Você é tão legal e bom”, disse Timothy.

No último mês, com a morte, aos 91 anos, do patrocinador George Walker, descobriu-se a história e as correspondências. 

George Walker era na verdade George H. W. Bush, 41º presidente dos Estados Unidos. De forma anônima e secreta ele ajudou e se correspondeu com o menino Timothy, hoje um jovem de 17 anos. 

Agora as correspondências foram reveladas ao mundo.

A tradição multilateral da nossa diplomacia

Rui Barbosa foi uma figura nacional por excelência e foi chamado de “Águia de Haia” por ter ajudado a tornar o Brasil um país multilateral, na Segunda Conferência de Haia, em 1907, quando defendeu o princípio da igualdade legal das nações.

As bases e os princípios defendidos por Rui Barbosa, entre outros, foram consolidados anos depois, já no final da Segunda Guerra Mundial, com a formação da ONU.

Pois bem. Muitas têm sido as declarações do governo eleito que colocam em risco a tradição multilateral da diplomacia brasileira. 

A mais recente foi o “desconvite” aos governos da Venezuela e de Cuba para a posse de Bolsonaro. Tudo bem, p. ex., que Maduro não merece consideração, mas o amadorismo na situação é se esquecer que em política externa esses convites são protocolares e não são destinados às pessoas, mas aos representantes dos governos. 

Se fosse somente pelo cunho ideológico, o Brasil teria que “desconvidar” muitos outros, como a China, Vietnã, Filipinas, Turquia, Russia, Polônia, Hungria, Nicarágua, quase todos os países árabes, além de vários países africanos. 

Diplomatas e ex-ministros dizem que este tipo de conduta gera antipatia, cria problemas desnecessários na diplomacia e nas relações internacionais. 

O Brasil precisa é atrair simpatias, abrir horizontes, fortalecer a cooperação internacional e facilitar negócios nas relações comerciais. Não somos fortes, como são os EUA, para nos isolarmos apenas com alguns países. 

O experiente jornalista Clovis Rossi observou que “a ignorância de Bolsonaro em política externa é constrangedora”… 

Parece que os ensinamentos de Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Oswaldo Aranha e tantos outros pioneiros em política externa vão fazer muita falta.

Uns dias de folga

Apesar dos desafios da missão OEA/MACCIH, em Honduras, tudo faz a diferença quando contamos com pessoas especiais ao nosso lado.

A começar pelos experientes colegas de trabalho, liderados com equilíbrio e habilidade pelo colega Luis Antonio Guimarães Marrey, e que não medem esforços para cumprir os propósitos da missão e do lema da OEA, que é levar “mais direitos para mais pessoas”. 

É enorme o comprometimento de todos para melhorar a qualidade de vida do sofrido povo hondurenho, sempre cordial, acolhedor e esperançoso de um país melhor e mais justo. 

Nesta luta, para mim, todos têm importante contribuição. Destaco os amigos virtuais, os amigos mais presentes, os familiares em geral, e os meus queridos filhos em particular, todos sempre prontos para ajudar.

Porém nada seria possível se não fosse a parceria das minhas companheiras da linha de frente nesta desafiadora jornada.

É imensa gratidão a todos! 

Agora o jeito é aproveitar uns dias do Brasil e matar as saudades de tudo e de todos!

É preciso contemplar


Aqui na parte de cima do mapa é inverno e estamos numa época um pouco mais fria. Os dias começam mais fechados e ao longo do dia o sol se anima e traz o seu brilho.

Da janela do meu trabalho aprecio a beleza destas Primaveras, aqui chamadas de Buganbilias ou Veraneras. São belos quadros que fazem lembrar a nossa casa e as flores da roça. 

Vivemos cercados do mundo digital e muitas vezes perdemos contato com as plantas, com as cores e a contemplação. 

Quando não quero pensar nos problemas urbanos e no mundo dos homens, volto para a beleza destas plantas. 

De vez em quando um sopro de brisa balança as suas flores, mostrando que a vida existe, que ainda há flores e esperança de luz.

John Lennon


Há 38 anos a notícia chocou o mundo: John Lennon fora assassinado. O estado de choque foi geral naquele 8 de dezembro de 1980.

Eu era adolescente e fã de carteirinha do beatle. À época vivíamos o regime militar e os movimentos pacifistas nos ajudavam a libertar dos pesadelos autoritários e das notícias de repressão. Na vida política, os dias eram confusos e tensos. 

Como jovens vivíamos nos anos 70 e início dos anos 80 uma época de utopias e Lennon era um dínamo propulsor de todos os sonhos possíveis para um jovem: um mundo sem guerras, a ideia de que a contracultura poderia mudar o mundo, a ingenuidade de um mundo sem fronteiras e a certeza de que não éramos os únicos sonhadores. 

Ouvíamos discos de 45 rpm e estávamos no auge das discotecas. Vivíamos um período de revolução no comportamento dos jovens e o lema “faça amor e não faça a guerra” ainda estava muito presente entre todos.

Escrevíamos cartas (bons tempos das cartas) para as “mocinhas” e líamos livros que prometiam um mundo melhor. 

E, é claro, tínhamos grandes ídolos, poetas e pacifistas como John Lennon. Para nós era muito simples e natural o que ele dizia: “imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz…”

Neste mundo conflituoso e intolerante John faz muita falta para todos nós!