Os sonhos não são bobagens

Eu tinha 7 anos e até então nunca ouvira falar em Papai Noel. Morávamos na roça, não tínhamos televisão e nem brinquedos; nós os fazíamos com mamão, chuchu, pedaços de pau e toda a criatividade do mundo. 

Lembro-me do dia que os meus pais chegaram para mim e minha irmã e nos apresentaram ao Papai Noel. Disseram que poderíamos encomendar presentes, pois o bom velhinho os traria de longe.

Pedi um caminhão basculante e a minha irmã uma boneca. Na manhã de 25 de dezembro de 1970 lá estavam duas caixas imensas, lacradas com fita adesiva, na pequena varanda da casa do sítio. 

Encantando e ávido por verificar o que estava dentro da minha caixa, fui direto ao presente, embrulhado de vermelho. Rasguei o embrulho com a excitação de uma criança que antevê o brinquedo e recebe uma bela surpresa da vida. 

Saí de lá dando pulos e me lembro dos dias seguintes com o brinquedo: fazendo pontes, construindo estradas e expandindo a imaginação. 

Este foi o único Natal em que ganhamos presentes de Papai Noel. Ele não voltou mais; talvez porque algum engraçadinho tenha nos contado que ele não existia. 

Mas o encantamento e a imaginação do Papel Noel ficaram para sempre. Nunca mais me esqueci daquela caixa cheia de emoções e sentimentos, que fizeram brilhar a minha vida. 

Por conta desta forte experiência pessoal eu sempre achei importante que o mundo das crianças seja repleto de fantasias, sonhos e ilusões. A verdade às vezes se esquece de acontecer. 

O mundo real ficará melhor para aqueles que vivenciaram, e ainda vivenciam depois de adultos, mundos de fantasias. Como dizia Shakespeare “os sonhos não são bobagens”.

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