Os retrógrados e adversários da democracia

Estive uns dias no Brasil. Reencontrei familiares e amigos. Fiz coisas simples e boas. Comi pão francês, pão de queijo e doce de leite. Matei um pouco as saudades e proseei bastante com as pessoas. 

Pude sentir de perto o pesado clima político. As pessoas estão divididas, amedrontadas e assustadas com o que está acontecendo no país e com o desprezo pelos direitos das pessoas. 

Fui ao banco. À espera do atendimento sentei-me com uma pessoa que eu conhecia e que fazia tempo que eu não reencontrava. Pessoa com boa formação. Bolsonarista convicto. Não é aquele sujeito que votou em Bolsonaro contra o PT; votou em Bolsonaro porque acredita que ele é “o mito”, “o salvador da pátria”.

Foi uma conversa difícil porque o sujeito revelou-se um extremista. Defendeu o fechamento do Congresso e do STF; sustentou a necessidade da mentira para derrotar o inimigo comunista, seja lá o que isto significa; disse que para o país crescer é preciso explorar ao máximo o agronegócio na Amazônia e que é bobagem essa história de aquecimento global. 

Eu o conhecia de outros tempos e fiquei assustado com o seu radicalismo atual. Tentei contrapor algumas coisas, mas não consegui. 

Interessante é que antes as pessoas tinham escrúpulos para expressar as suas opiniões radicais, mas agora perderam a vergonha. Reafirmam preconceitos do patriarcado e revelam os seus DNAs autoritários, autocráticos. Destilam a intolerância, o machismo, a homofobia, o radicalismo, o antidiálogo. 

É preciso deixar bem claro: estas pessoas não são somente conservadoras; são retrógradas. Espalham a guerra e a mentira, armas possantes do fanatismo político. 

Esse meu conhecido, saudoso da ditadura, é o puro reflexo deste governo maléfico e repugnante. 

São todos contra os melhores valores que transmitimos às futuras gerações. São adversários da democracia.

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