Os perdedores das eleições municipais de 2020

O Partido dos Trabalhadores foi o grande perdedor nas eleições municipais. Levou uma surra, a maior da sua história. Não ganhou em nenhuma capital. Em número de prefeituras, ficou atrás de diversos partidos, como MDB, PP, PSD, PSDB, DEM, PL, PDT, PSB, PTB e Republicanos. 

Em todas as eleições municipais que disputou, desde a redemocratização, o PT sempre ganhou ao menos uma capital de estado. Em 2020 o PT não ganhou nenhuma (conforme quadro abaixo).

Em 2012, o PT elegeu mais de 5 mil vereadores pelo Brasil; em 2016, o número caiu para 2.815 e em 2020, foram 2.665.

Contra números tão evidentes não há argumentos. O PT se saiu muito enfraquecido. Recebeu o claro recado das urnas. Olhando de fora, é interessante que, ainda assim, o partido que elegeu quatro vezes um presidente, não se reinventa, nem faz autocrítica; parece que não pensa novas estratégias para esse cenário tão adverso.

Também continua enfraquecida a esquerda, de forma geral. Todos precisarão se reinventar, se quiserem reconquistar a confiança do povo. O fato é que vem diminuindo o espaço, nos tempos atuais, para a esquerda de matriz marxista-revolucionária, como o PT, o PSOL, os partidos com ideologias comunistas (PCO, PCdoB, PSTU, UP, PCB). Aliás, sejamos minimamente sensatos: possuir “comunista” no nome, em pleno século XXI, só afugenta as pessoas e municia os adversários. 

Outro ponto de equívocos da esquerda tradicional é aceitar e passar pano para os populismos autoritários de esquerda. Não se pode atacar os populismos-autoritários de extrema-direita, e tolerar, quando não elogiar, os neopopulismos de esquerda, como o regime de Maduro na Venezuela ou de Ortega na Nicarágua. Verdadeiros democratas são contra os populismos e ponto final. 

Contudo, nessas eleições o PT não foi o único perdedor. Jair Bolsonaro também perdeu como cabo eleitoral. A extrema-direita perdeu feio. Junto com ela, também perderam os discursos antipolítico e anti-sistema. A experiência de votar em malucos e aventureiros deu errado. Tivemos uma eleição normal, sem negacionismos, sem terraplanismos, sem a ideia de acabar com quem está aí. 

Quem usou a retórica bolsonarista perdeu e isso traz um certo alívio. O bolsonarismo ainda será visto como uma triste página de um momento delirante da cena política nacional. 

Nessas eleições tivemos o retorno do bom senso, do pragmatismo. E quem ganhou foram os partidos de direita, travestidos de partidos de centro. Goste-se ou não, houve o fortalecimento política tradicional.

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