Os dramáticos números da educação brasileira

Os números da educação brasileira são dramáticos. Os dados do IBGE divulgados no dia 15 de julho representam uma tragédia para um país. De 50 milhões de jovens de 14 a 29 anos no país, 10,1 milhões (20,2%) não completaram a educação básica, seja porque nunca foram para a escola ou porque a abandonaram no meio do caminho. 

Os principais fatores citados para a evasão escolar são a necessidade de trabalhar (39,1%) e desinteresse (29,2%).

A pesquisa da PNAD mostra que, desses 10,1 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos de idade que não completaram a educação básica, 71,7% são pretos ou pardos, e a maioria foi obrigada a parar porque precisava trabalhar. 

Outro dado que revela mais um abismo social do nosso país é a taxa de analfabetismo. Embora venha reduzindo pouco a pouco, ainda temos 11 milhões de brasileiros, com mais de 15 anos, que são analfabetos. 

Dos jovens de 15 a 17 anos, 78,8% se dedicam exclusivamente ao estudo. Mas aumentando a faixa para 15 a 29 anos, 22,1% não trabalhavam e nem estudavam, o que se convencionou chamar de “nem-nem”. Esse percentual sobe para 27,5% no caso das mulheres e para 25,3% entre pessoas pretas e pardas.

Esses retratos dramáticos demostram que a educação deveria ser a prioridade das prioridades em nosso país.

Segundo revelou o recente estudo “Consequências da Violação do Direito à Educação”, feito pelo Insper em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a evasão escolar de jovens estudantes causa um prejuízo de R$ 214 bilhões anualmente ao Brasil.

São altíssimos os valores perdidos todo ano por cada aluno que não conclui e educação básica. Segundo o estudo, o esse custo é calculado nas dimensões da empregabilidade e remuneração; longevidade e qualidade de vida; efeitos que a remuneração do jovem tem para a sociedade, chamados de externalidades, como o impacto no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas por um país) e violência.

Segundo o economista Ricardo Paes de Barros, coordenador do estudo, o levantamento mostra que a educação, além de ser um direito garantido na Constituição, traz um retorno financeiro muito importante para o país. “Estamos falando que o custo de o estudante não concluir é quatro vezes maior do que o que estamos dispostos a gastar para construir esse projeto [de educação]”, afirmou o pesquisador durante videoconferência de lançamento e debate do estudo.

Os desafios para o Brasil são enormes. Nas não somos detratores de que tudo está ruim. Se olharmos esses últimos 32 anos depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, houve fabulosos progressos na Educação brasileira. A começar pela organização das políticas educacionais de Estado em Planos Decenais de Educação (PNE). O atual Plano Nacional de Educação (PNE) deve vigorar de 2011 a 2020 e apresenta diretrizes e metas para a educação no Brasil. Muitos avanços poderiam ser citados, como a garantia da universalização do ensino, que hoje chega a uma parcela bem maior da população; o aumento dos investimentos, com destinação orçamentária garantida; a grande expansão no ensino superior; a evolução da formação docente; o piso nacional do magistério, entre tantas outras evoluções dignas de destaque.

Contudo, o nosso grande desafio ainda é a educação básica. O que se percebe ao longo das últimas décadas é que houve muitas quebras de continuidade nas políticas públicas educacionais, principalmente sobre qual etapa priorizar. Isso refletiu em iniciativas desencontradas e pontuais que ora focaram o nível fundamental, ora o nível médio. 

O mais importante seria o país dar um foco grande nos anos iniciais, a partir da educação infantil, e também ao ensino médio, que é um grande problema para o país em termos de abandono da escola. Juntar as duas pontas. Realizar fortes políticas educacionais para as crianças que ingressam na escola, preparando-as para um futuro promissor na escola, e para o ensino médio, para aqueles que já estão de saída e mais um tempo de escola poderia fazer toda a diferença na sua vida pessoal e profissional.

Dentre todos os problemas educacionais que enfrentamos, o abandono sem dúvida é o pior deles. E, como mostrou o estudo “Consequências da Violação do Direito à Educação”, é altíssimo o prejuízo, para os jovens e para o país, deixarmos a nossa juventude fora da escola. 

Foto: Simpro – Goiás

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