O novo Ministro da Educação e os moinhos de vento

O lendário Dom Quixote de La Mancha leu muitas histórias de cavalarias, perdeu o juízo e passou a viver grandes aventuras como cavaleiro andante, na busca de corrigir malfeitos. 

A todo momento ele lutava contra inimigos inexistentes, guerreiros imaginários, e na sua imaginação até os moinhos de vento eram seres vivos; vivia num mundo tão irreal que começou a ver fantasias e obsessões. Ao final, Dom Quixote voltou à razão.

Desde o início, Bolsonaro e sua ala ideológica, estimulados pelo guru Olavo de Carvalho, combatem moinhos de vento e enxergam inimigos que existem apenas em suas imaginações. Lutam contra os fantasmas comunistas, a ideologia de gênero nas escolas, o marxismo cultural, a doutrinação ideológica, o globalismo, entre outras bobagens; ignoram a história universal e a realidade do país. 

Neste contexto, se por um lado foi boa a demissão de Velez do Ministério da Educação, por outro é preocupante a nomeação de Weintraub para substitui-lo, pois ele também é olavista e tem como pauta “combater a ideologia marxista”. 

O ministro nomeado não tem histórico de formulação de políticas públicas para a educação básica e vê comunistas por todos os lados. Disse que  “os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios…”. Afirmou que foram os comunistas que trouxeram o “crack” para o Brasil. É inacreditável!

Ao invés de ouvir os militares, os gestores, os economistas, Bolsonaro continua acreditando no guru da Virgínia e os seus seguidores radicais. 

Reclamaram da ideologia dos outros e instalaram a mesma obsessão em combater ideologias velhas e inexistentes.

Torço para estar enganado, mas enquanto o governo insistir em combater moinhos de vento através da ideologia, a crise continuará no Ministério da Educação, área essencial para o desenvolvimento do país. Combater inimigos irreais ou insignificantes sempre traz problemas reais. 

Vamos torcer para que o novo ministro governe com perfil técnico. Se continuar a fazer a cruzada cultural vamos retroceder décadas, em grave prejuízo da nossa sociedade.

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