O MEC e a divisão (e exclusão) dos saberes

Há algum tempo a Finlândia anunciou uma revolução: pretender acabar com as disciplinas nas escolas. O país é protagonista em educação de qualidade e deseja uma educação amplamente interdisciplinar, que agregue os conteúdos, ao invés de dividir o conhecimento em disciplinas.

O ousado exemplo mostra uma tendência adotada nas últimas décadas por todos países desenvolvidos: integrar o ensino das ciências humanas, exatas e da natureza. 

A integração das disciplinas tem levado séculos para ocorrer. O conhecimento tradicionalmente foi compartimentado e disciplinarizado em ramos da ciência; no interior de cada um deles, as disciplinas. Com isso, o saber sempre ficou fragmentado e isolado.

Entretanto, a partir do século XX, a divisão dos assuntos em disciplinas rígidas, levou a dificuldades para construir explicações da realidade, na qual as coisas estão conectadas, interdependentes e interligadas, a exigir soluções compartilhadas para lidar com as crescentes incertezas e complexidades. 

Diante dos problemas fundamentais do planeta, a união dos saberes passou a ser essencial. Décadas de pesquisas comprovaram que a integração entre as diferentes áreas de conhecimento é mais fecunda e produtiva socialmente do que a separação entre elas ou a exclusão de algumas delas.

Em qualquer nível de ensino, desde o básico até o superior, o caminho ideal do futuro será a inclusão e a integração das disciplinas, para construir solidamente o saber científico e gerar visões mais transdisciplinares.

No Brasil do atraso o caminho é inverso dos países evoluídos. Ao invés de integração e harmonização das ciências, fala-se em exclusão. O objetivo é dar menos prestígio, enfraquecer, ou mesmo excluir dos currículos as áreas de humanas, como filosofia, sociologia e ciência política.

Desde 1901 foram concedidos quase 600 Prêmios Nobel para dezenas de países. A Argentina tem 5 prêmios. Nós nunca ganhamos um e desse jeito nunca ganharemos.

O nosso subdesenvolvimento é o resultado dos grandes e incessantes investimentos em ignorância e precariedade, que sempre marcaram nossa história. A pergunta é sempre atual: que sociedade queremos ser?

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