O humanismo de Primo Levi

Na manhã cinzenta de 26 de fevereiro de 1944 um transporte de 650 judeus chegou em Auschwitz, vindo do campo de prisioneiros em Fossoli di Carpi, Itália. Desse total, nos meses posteriores, apenas 20 sobreviveram, entre eles o judeu italiano Primo Levi, que recebeu o número 174517. Ele sobreviveu graças ao seus conhecimentos de química, úteis para a produção de borracha. 

Em setembro de 1947 Levi deixou às futuras gerações um dos textos mais interessantes e reflexivos sobre o Holocausto, o livro “É isto um homem?”, relatando de forma sensível o que viu e viveu na sua dolorosa experiência em Auschwitz, com reflexões profundas sobre a esperança, o amor e o sentido para a existência e a vida em sociedade. 

No livro ele relata de forma sensível o que viu e viveu; traz profundas reflexões sobre a esperança, o amor, o sentido para a existência da vida em sociedade.

Para Levi, é preciso repetir o passado aos nossos filhos; mostrar-lhes o que ocorreu, pois uma das tragédias do holocausto não está somente nas mortes, mas na desumanização das pessoas. 

Todas as gerações deveriam ler algum livro sobre o Holocausto para entender melhor de humanidade (ou de desumanidade). 

No Brasil, todos os dias presenciamos cenas e elogios à violência, discursos de ódio, de vingança, e vivenciamos uma escalada de desumanização.

O presidente Bolsonaro, que deveria dar o exemplo, faz contínuos ataques à solidariedade humana e à ideia de humanidade. Nos últimos dias as maledicências do presidente foram em relação às vítimas do período militar e aos presos mortos no Pará (em relação a estes insinuou que receberam o que mereciam).

Não, nada disso é normal. A desumanização não é normal.

Como ressaltou Levi, “os monstros existem, mas são muito pouco numerosos para serem verdadeiramente perigosos”. 

A grande maioria da população pensa e ensina diferente aos seus filhos e netos. Ensina às futuras gerações que é preciso acreditar nos valores do diálogo, da sensibilidade, da alteridade, da empatia, do perdão e da compaixão. 

Levi nos deixou o grande legado de que o amor no coração humano é mais natural do que o ódio.

No poema que abre o livro, ele diz que é preciso repetir o passado aos nossos filhos e mostrar-lhes o que ocorreu, pois uma das tragédias do holocausto não está somente nas mortes, mas na desumanização das pessoas. 

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