O familismo do clã Bolsonaro e o familismo no Brasil

O jornal “O Globo” publicou que, em 28 anos, o clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares.

Ao ser questionado pela reportagem, Bolsonaro respondeu: “Já nomeei parente sim. Qual é o problema?”

Para muitos, ainda que sejam (falsos) moralistas, não parece um problema porque no Brasil o familismo sempre foi comum. 

O familismo na política é uma vergonha histórica, com os Sarney, Lobão, Magalhães, Cunha Lima, Barbalho, e tantas outras dinastias de famílias, donas do poder há décadas ou séculos, com as suas aristocracias transmitidas aos filhos e netos. 

Na política da sua cidade você provavelmente encontrará a mesma coisa. Basta fazer uma genealogia dos grupos familiares passados. 

Mas não é só na política. As redes de nepotismo estão presentes em todos os Poderes. Muitas vezes estendem os seus tentáculos ao setor privado. 

O familismo produz e reproduz desigualdades históricas e é um desrespeito à meritocracia. 

É verdade que melhoramos muito nas últimas décadas, com os concursos públicos e o enfrentamento ao nepotismo. Mas ele insiste em passar de geração para geração.

O nepotismo é um desprezo à moralidade e por isso é considerado improbidade, uma forma de corrupção. Sem contar que muitos dos nomeados recebem e nunca vão trabalhar. 

Como cidadãos nos resta a capacidade de indignação, de não-conformismo. E é claro, sempre desconfiar de políticos populistas e (falsos) moralistas.

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