O dom de viver nos faz sorrir

Estava saindo do supermercado e me deparei com um mendigo vindo em sentido contrário. 

Era um senhor com roupas esfarrapadas, expressão fechada e olhos distantes. Dava a sensação que olhava para o nada, para o infinito.

Estava sujo da cabeça aos pés e parecia cansado; talvez cansado da vida e das tolices do mundo. 

Ele olhou para mim e resmungou alguma coisa. Não entendi, mas eu o cumprimentei e ele me respondeu “buenos días”. 

Em seguida aproximou-se de mim, esticou a sua mão direita e nos cumprimentamos novamente. Sem nenhum nexo ele disse “forever, siempre”. 

Mesmo sem entender o que ele queria dizer, eu respondi “forever, siempre”. Foi então que ele abandonou a indefinível expressão de tristeza e abriu um enorme sorriso, sem os dentes. 

Saí dali com a sensação de que toda tristeza da vida pode ser eliminada com um único sorriso. Apesar de todos os dramas do mundo, o dom de viver nos faz sorrir.

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