O animal mais perigoso do mundo

No zoológico do Bronx, em Nova York, há um pavilhão destinado aos primatas onde é possível ver chimpanzés, gorilas, saguis, orangotangos e tantos outros macacos de todo o mundo. No fundo do recinto há uma jaula separada. Quando o visitante se aproxima, há um letreiro que diz: “O animal mais perigoso do mundo”. 

Atraídos pelo letreiro, os visitantes chegam cuidadosamente para ver dentro da jaula. Para surpresa de quem olha, ao observar por entre as grades, a pessoa enxerga o próprio rosto. A jaula é um grande espelho e há um letreiro mostrando que o homem é a única criatura que já matou mais espécies inteiras de outros animais e alcançou o poder de exterminar toda a vida na Terra. 

As pessoas que visitam o local têm a oportunidade de olhar a sua imagem no espelho e tomar consciência da cegueira planetária que nos domina; da falta de cuidado com os ecossistemas e com o planeta Terra. 

Aqui nestes tristes trópicos é indescritível o que está acontecendo com o Pantanal, o maior bioma úmido do mundo. As imagens da destruição são devastadoras. E com a Amazônia não é diferente. 

São vários os fatores geradores, em temas tão complexos. Fazendeiros e grileiros impunes, que expandem as suas áreas de pastagens através de queimadas estratégicas; um governo ecocida e negacionista, que vem desmantelando os órgãos ambientais, e cortou 58% da verba para contratação de profissionais para prevenção e controle de incêndios florestais entre 2019 e 2020; temos a seca; o aquecimento global. Mas, em em última análise, o responsável é sempre o mesmo: o ser humano, que não consegue cuidar dele próprio e dos seus tesouros. 

Há alguns dias a ONU advertiu no relatório “Global Biodiversity Outlook 5” que a humanidade está numa encruzilhada histórica, pois não está conseguindo impedir a destruição da natureza.

Enquanto o coração arde de tristeza, fico pensando: entre a vida e a morte, qual o caminho que vamos escolher para o futuro da nossa humanidade? 

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Foto de Lalo Almeida/Folhapress: Onça pintada descansa em área queimada, às margens do rio Três Irmãos, no Parque Estadual Encontro das Águas, em Porto Jofre.

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