“Nada vai acontecer comigo”

A quarentena afrouxou. Sem a menor necessidade, as ruas estão voltando à normalidade, com muitas aglomerações nas ruas, nos comércios, nos calçadões. Até as festas nas residências estão voltando. Que perigo!

As aglomerações continuam por desinformação, ignorância, guerras de narrativas, dificuldades reais das pessoas de ficarem em casa (principalmente nas residências precárias), entre outros motivos. Mas há também a questão da natureza humana.

Há aqueles que acreditam estar imunes aos males e às doenças que nos cercam. Têm a ilusão de controlar a situação e o destino. Possuem crenças ilusórias: “Nada vai acontecer comigo”; “Isso só acontece com os outros”. 

Muitos também têm a tendência de serem autoagressivos, como se verifica com o abuso do álcool, do tabagismo, do sedentarismo, e de outras condutas autodestrutivas. “Não vai acontecer nada”; “Um dia vamos todos morrer mesmo”, dizem. 

São táticas do avestruz, a de negar a realidade ou descumprir aquilo que muda o seu conforto, a sua rotina.

Essas pseudocertezas são as piores inimigas do confinamento e, portanto, da saúde pública. Com elas colocamos em risco a própria vida e a dos outros. 

As falsas certezas dificultam as mudanças de comportamento. A fábula “A raposa e as uvas” é uma boa metáfora neste sentido. Raposa não gosta de uvas, mas a história retrata bem o comportamento de teimosia, de desprezo, de falsas crenças. 

É duríssimo tudo isso que estamos passando. Mas é uma questão de vida ou morte, e estamos falando de milhares, milhões de pessoas. Vivos, depois teremos bons motivos para sair e celebrar a vida. Aqueles que podem, precisam ficar em casa. 

O momento é de sobrevivência; é de cuidar das nossas vidas e respeitar a vida do próximo. É hora de aguçar mais o nosso senso de coletividade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *