Macartismo à brasileira

O Ministro da Educação disse que filmar professores em sala de aula é um direito dos alunos.

Pois bem. Temos mais de 2,5 milhões de professores que diariamente vão cedo para o chão das escolas lutar pelo ensino e Educação do nosso país. Enfrentam todas as adversidades possíveis, como baixos salários, chuva, frio, sol, violência.

Agora terão que se preocupar também com o patrulhamento e o denuncismo dos alunos, incentivados oficialmente pela maior autoridade da Educação, que ameaçou analisar os casos filmados.

Registre-se que em nenhuma democracia liberal do mundo o professor pode ser filmado, a menos que ele permita. É inconstitucional; é ilegal. Mas o ministro, que já disse que comunista precisa levar um tiro na cabeça, segue com as obsessões olavistas do anticomunismo e do combate ao marxismo cultural. 

Nos anos 1950 o senador McCarthy liderou uma campanha anticomunista nos EUA. Milhares de pessoas inocentes foram investigadas pelo FBI e tornaram-se vítimas de caça às bruxas, entre as quais Charles Chaplin. Os abusos foram tantos que a opinião pública se indignou e rebelou-se contra McCarthy, que morreu decadente e no ostracismo.

Ou reagimos todos, professores, sindicatos e população, contra este estado de coisas, ou viveremos nas escolas os tempos sombrios de um macartismo à brasileira.

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