Thoureau e as lições de isolamento

“Só amanhece o dia para o qual estamos despertos”, afirmou Henry Thoureau (1817/62), filósofo e poeta americano que nos convidava a viver de um modo mais inteligente e menos angustiante. 

Thoureau viveu dois anos isolado numa pequena cabana perto do lago selvagem chamado Walden (foto) e escreveu o livro “Walden”, uma espécie de diário, publicado em 1854.

O livro foi concluído em 1854 e à época já criticava os rumos da sociedade industrial, o desperdício do consumismo desenfreado e propõe a volta do homem ao respeito às fontes da vida e pela natureza. 

O livro fez sucesso na minha geração e inspirou ecologistas, alternativos, e todos aqueles que acreditam ser possível uma vida simples, saudável e sustentável. É bastante utópico, mas ainda tenho o meu, já velhinho, na estante. 

A obra é um ensaio sobre a capacidade de o ser humano viver sozinho e a não acumular bens além do necessário.

Dizia Thoreau que não devemos nos perturbar com a aquisição de coisas novas e defendia somente o essencial para viver. “As coisas não mudam, nós mudamos. Se somos insaciáveis é porque não enxergamos bem as nossas reais necessidades”. 

Thoureau desaconselhava que as pessoas acumulassem bens pensando no futuro. “Melhore o momento presente. Estamos vivos agora”, dizia. 

“Sou grato pelo que sou e pelo que tenho”, dizia ele, “e minha gratidão é permanente. Surpreende que alguém possa estar tão contente sem uma razão definida – apenas o fato de existir. Respirar é suave e delicioso. E me alegro pensando na minha riqueza indefinida. Nenhuma crise pode colocá-la em perigo. Eu a tenho e, no entanto, não a possuo”. 

Walden nos deixou o legado de que uma vida mais simples é viável, saudável e sustentável. É importante tanto do ponto de vista econômico, quanto do aspecto psicológico.

O isolamento tem nos obrigado a reconhecer melhor alguns dos valores pregados por Thoureau, que têm muito dos preceitos da filosofia estóica, como a vida simples, a importância de se aproveitar o presente e a necessidade de olharmos para nós mesmos. 

Thoureau nos deixou vários legados e outros trabalhos sobre Desobediência Civil, inspirando pacifistas como Gandhi e Martin Luther King.

Mas foi em Walden que ele nos deixou o legado de que a solidão pode nos levar ao encontro conosco mesmos.

Ao viver em completa solidão, Thoureau aprendeu muito sobre si mesmo e sobre os homens. Voltou para a vida em sociedade muito enriquecido. Mais que tudo, aprendeu a ver o que havia de melhor nele mesmo.

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