Ideologia dos outros

Quando surgiu o nome do diretor do Instituto Ayrton Senna Mozart Neves Ramos como possível Ministro da Educação, os grupos de whattsapp aos quais sou ligado, de pessoas que trabalham na área da Educação, ficaram aliviados. 

Seria uma grande indicação, acima de posições ideológicas e políticas; um nome de consenso, respeitado por educadores de todas as tendências, incluindo os de esquerda, em razão do seu vasto conhecimento e experiência na área. 

Pois bem! Por claras pressões da bancada evangélica o nome de Mozart foi recusado. Segundo declarações do deputado Ronaldo Nogueira, no Estadão, Mozart tinha “um posicionamento ideológico totalmente diferente dos conceitos e princípios da bancada evangélica”.

Com os evangélicos em pé de guerra, o presidente eleito, recuou e nomeou para o Ministério da Educação o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, que possui bom currículo, mas não tem experiências em administração de políticas de educação. Chega focado ideologicamente no combate às tais “doutrinação marxista” e “ideologia de gênero” nas escolas.

Desta forma, o presidente eleito perdeu a chance de indicar um nome técnico e de pacificar uma questão crucial para o país, dada a importância do Ministério da Educação, e de toda resistência que virá à indicação de alguém sem experiência em políticas públicas de educação e limitado ao viés ideológico. 

É claro que todos nós, bolsonaristas ou não, torcemos para que o Brasil dê certo, pois estamos todos no mesmo barco e se o barco afundar, afundaremos juntos. Vão sobrar apenas os oportunistas de sempre. 

Mas uma coisa é certa: quando todos achavam que as coisas iam caminhar bem, com a nomeação de um nome técnico, lá veio a ideologia junto, impedindo-nos de acreditar num Brasil que deve ser para todos. Conclusão: o que não pode é a ideologia dos outros!

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