E daí?

No mesmo dia em que a pandemia batia recorde no Brasil e multidões se aglomeravam nas longas filas da Caixa para escapar da fome, Bolsonaro fazia tiro ao alvo. Ao ser indagado sobre o recorde do número de mortos, ele perguntou: “E daí?”.

E daí que Bolsonaro não está preocupado com aqueles que choram os mortos. Não tem empatia e nem compaixão. Não consegue palavras espontâneas de conforto às famílias das vítimas. 

O mal já está tão impregnado nas suas falas e condutas que virou rotina. Poses de arminhas, elogios a torturadores, deboches sobre a pandemia, comentários atrozes, ataques contra o isolamento social, nada mais lhe parece ser o mal, que já se tornou banal. É o mal como causa do mal, de que nos fala a filósofa Hannah Arendt em “Eichmann em Jerusalém”, livro no qual, ao analisar o comportamento insensível do carrasco nazista, ela desenvolveu o conceito de “banalidade do mal”, a face superficial da condição humana. 

E daí? E daí que é preciso intensificar o movimento pelo impeachment, ainda que no meio da pandemia. É preciso parar o inconsequente, o insensível, e o autoritário Bolsonaro. A continuidade de um presidente assim está sendo e será um enorme perigo para o país.

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