Distraídos venceremos e 2021 será melhor

“Escutamos o barulho do carvalho que cai mas não escutamos o barulho da floresta que cresce” lembrou o filósofo Jean-Yves Leloup.
O ano que passou foi de muitas dificuldades causadas pela pandemia e por um presidente horroroso e autoritário, que protagonizou um festival de bobagens e de absurdos ao longo do ano.
Pior que o festival de imbecilidades e negacionismos do presidente, ele contou com apoiadores que desdenharam da pandemia e propagaram fake news. Entre eles, muitos médicos, que abandonaram a ciência e apoiaram o descaso genocida do governo federal e da sua política antivacina e anticiência.
Mas a metáfora da sintonia da floresta que cresce nos lembra que muita coisa boa também ocorreu.
Se em 2020 tivemos o pior da ciência, também tivemos o melhor. A pesquisa científica possibilitou, em tempo inédito, a descoberta das vacinas contra a Covid. Agora é torcer para que ela chegue o quanto antes para todos.
Em 2020 tivemos o fortalecimento do movimento negro, que vem marcando presença na luta por igualdade e direitos. Foi o ano da vitória da educação pública, com a aprovação do Fundeb, apesar das tentativas do governo Bolsonaro de rapinar boa parte do dinheiro para as escolas particulares e religiosas. E houve muito mais resistências invisíveis em vários campos.
Destaque-se que em 2020 foi o ano em que a democracia resistiu. Houve a derrota do autocrata Trump, uma ameaça real para as democracias, e aqui no Brasil as instituições democráticas resistiram ao populismo autoritário de Bolsonaro.
Muitos querem nos levar de volta ao atraso, mas a reação democrática tem conseguido enfrentar as forças da ignorância e trazer esperança para o mundo.
A noite não é eterna e por isso é preciso cantar o amanhecer. Forças invisíveis estão despertando. Sementes estão germinando. Distraídos venceremos, como diria o poeta Leminski. 2021 será melhor.

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