Correr riscos e aprender a viver

Na bela crônica “Aprendendo a Viver”, do livro com o mesmo nome, Clarice Lispector traz uma mensagem clara: “não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe”.

Clarice nos convida a fazer um exame de consciência, lembrando-nos de quantos “agoras” que foram perdidos e que não voltarão mais. Segundo ela, “há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito… há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.”

Na sua reflexão ela ressalta que muitos pensam, economizam e poupam pensando somente no futuro. Está certo pensar um pouco no futuro, mas é necessário melhorar o presente, pelo fato de estarmos vivos. 

A pergunta que se faz é: por que não mudamos quando é preciso mudar? 

A escritora lembra que o medo é a causa da ruína dos nossos momentos presentes: “qual é o agora que queremos fazer e não temos coragem?”

Ela cita o filósofo Thoreau e comenta: “Creio que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força”. 

Ao final Clarice conclui que para mudar é preciso arriscar mais e fazer o que queremos fazer: “A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena.”

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