Cidadãos e “cidadões”

A piada da vez foi que numa entrevista o Presidente do INEP, encarregado do ENEM, falou “cidadões”.

Apesar do grave erro, não quero jogar pedras porque a língua portuguesa é sempre traiçoeira. O plural então? Esse engana até os mais avisados. 

Os erros com o português falado são constrangedores, principalmente em entrevistas públicas, porque as palavras ditas não voltam. Errou, ferrou! 

Já em relação ao português escrito é mais fácil prevenir os erros e existem duas fórmulas essenciais para se evitá-los: obviamente a primeira é conhecer bem a norma culta e a segunda é revisar, revisar e revisar o texto escrito. Ainda assim os escorregões acontecem.

Lembro-me de um caso do tempo em que eu era Professor da rede estadual, há mais de 30 anos, na época em que os professores ainda faziam greves. Estávamos em greve e o Secretário da Educação na época era um homem culto até no nome: Chopin Tavares. Ele não queria dar nenhum aumento salarial, havia um grande impasse e os mestres estavam bravos. Durante uma das negociações com os professores grevistas ele deixou escapar a frase “a gente negoceia”. 

O equívoco foi um prato cheio para os professores grevistas, que não perdoaram o escorregão e passaram a vingar-se do secretário entoando, em passeatas nas ruas de São Paulo, o seguinte refrão: “aí vareia, aí vareia, o Secretário fala negoceia”. Perde-se o amigo, mas não a piada…

Mas voltando ao Presidente do INEP, como lembrou José Simão, agora os candidatos do ENEM, ao invés de escrever que “os irmãos dos cidadãos são cristãos”, poderão escrever “os irmōes dos cidadōes sāo cristōes!”. Afinal, aí “vareia”, né?

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