Cantar o hino nacional não é problema

Talvez muitos não façam ideia, mas cerca de 29% dos brasileiros, aproximadamente 58 milhões de pessoas, são analfabetos funcionais, ou seja, não conseguem compreender textos simples. Destes, 8% são analfabetos absolutos (aqueles que não conseguem ler sequer uma palavra ou frase), algo em torno de 16 milhões de pessoas. 

É muita gente! Somos um país lamentavelmente ignorante. Os dados revelam que o nosso mais grave problema educacional é muito básico: aprender a ler. 

Reconhecer esses dados terríveis não é uma questão de esquerda ou direita. Se você acha que questionar as mazelas sociais é ser de esquerda ou ser comunista, está na hora de rever seus conceitos.

Entender esses dados tristes para um país, causados ao longo de uma história de descuido com o povo brasileiro, é simplesmente essencial para qualquer governo em início de mandato, para se planejar e saber como enfrentá-los.

Por tudo isso, o que mais incomoda neste Ministério da Educação não é a proposta de cantar ou incentivar o hino nacional; isto é importante e já é feito habitualmente nas escolas.

O que mais irrita o cidadão, que paga imposto e quer ver o seu país melhor, é o Ministro da Educação não ter a menor ideia de como enfrentar os nossos graves problemas e ficar empurrando pautas ideológicas e bordões de campanha. 

Numa realidade ideologizada, muitos criam situações falsas, e sempre há quem acredite nelas. Perde-se tempo precioso com discussões sobre Escola sem Partido, ideologia de gênero, hinos, filmagens, bordões patrióticos e nos esquecemos do mínimo: aprender matemática e português.

Enquanto isso a ignorância aumenta e o governo deixa de se ocupar daquilo que é mais importante para o crescimento econômico e o desenvolvimento de um país: o seu capital humano.

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