Campeões do achismo e do opinionismo

O Brasil sofre do antigo mal do “achismo” e do “opinionismo”, que apresentam soluções simples – e ineficientes – para problemas complexos. As opiniões são feitas com a vaidade de um pavão e a profundidade de um pires. 

Quando o assunto é futebol, política, e outros temas, até que tudo bem. O problema é quando se refere à vida das pessoas. 

Pessoas que nunca leem, nem estudam e nem pesquisam querem dar palpites e achar soluções para tudo. As opiniões tomam o lugar dos estudos, da ciência e do conhecimento. São pitacos por todos os lados. 

Os políticos populistas sempre arrumam remédios milagrosos, dentro da lógica do imediatismo e da esperteza. Renegam a ciência e o bom senso. 

Machado de Assis nunca esteve tão atual com as suas histórias e contos cheios de ironia e humor. 

Quem leu Memórias póstumas de Brás Cubas conhece o seu Emplasto Brás Cubas (capítulo 2), um medicamento ilusório para enganar as pessoas e “aliviar a nossa melancólica humanidade”. 

É dele também o genial conto “A Teoria do Medalhão” (está na internet e é pequeno). É a história de um pai que vai orientar o filho, que completou 21 anos, a viver. 

O objetivo é fazer o jovem sair da “obscuridade comum” para se tornar um medalhão. Mas ao invés de ensinar ao filho a importância do conhecimento e dos valores, ele o ensina a ser competitivo e esperto. 

Nada de “ideias”, “livros”, “filosofia” ou “imaginação”. O filho precisa aprender a “vencer na vida” e para isso precisa ser esperto, decorar “frases feitas”, “ter visibilidade”; a pertencer à política, mesmo sem ter ideias. 

O conto é uma sátira incrível à mediocridade intelectual e social em que vivemos. É a malícia versus inteligência; a esperteza e a obtusidade contra o conhecimento. Esse primitivismo mental leva ao desprezo pelo outro e pela vida… 

Estamos vendo que além do coronavírus ainda temos que enfrentar o mal da estupidez, que tanto nos assola.

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