As forças democráticas precisam se impor

Aqueles, com eu, que nasceram na primeira metade da década de 60, cresceram e conviveram com o Regime Militar. 

Quem não era alienado ou apoiador do regime sabe bem o pesadelo que foi. As notícias que vinham dos porões de tortura; os desaparecimentos; as eleições indiretas; a total falta de liberdade. A palavra “subversivo” era muito comum entre nós para designar um gesto ou expressão que pudesse nos colocar em risco. 

Somos de uma época que não tínhamos partidos políticos, então proibidos. Eram apenas dois partidos MDB e Arena. Não tínhamos partidos, mas tínhamos esperanças. Aprendemos a alimentar um sonho de Brasil, de um país para todos; moderno, que priorizasse a educação e a saúde; que tivesse com menos desigualdade social; que preservasse a Amazônia e respeitasse os povos indígenas.

Aos poucos, num longo processo, sopraram os ventos da liberdade. Canções como “O Bêbado e o Equilibrista” de Aldir Blanc, que acaba de nos deixar, nos embalavam nos sonhos de esperança. Fomos para as ruas pedir diretas. A democracia e a liberdade chegaram depois de uma longa luta do povo brasileiro. 

A nossa democracia sobreviveu. O processo democrático se fortaleceu com eleições regulares. Tivemos decepções com sucessivos governos, houve dois impeachments, mas história recente traz um saldo positivo do fortalecimento das instituições como Forças Armadas, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Polícias. Enfim todos os poderes e instituições ficaram fortalecidos, funcionando sob a égide de uma Constituição legítima e democrática.

Até que chegou Bolsonaro. Ele foi eleito depois de uma tempestade perfeita, com inúmeros fatores que o levaram ao poder, como lavajatismo, decepção com o PT, movimentos religiosos, corrupção, entre outos. Chegou atacando diariamente o nosso bem mais precioso e duramente conquistado: a nossa democracia.

Mais que atacar a democracia, com Bolsonaro perdemos muito em termos de institucionalidade, de degradação do debate público, de organização social, de redes comunitárias. Com ele estamos perdendo a nossa tão duramente conquistada democracia.

Mais do que atentar contra as instituições democráticas, de uns tempos para cá Bolsonaro começou a participar diretamente de atos golpistas, como no último dia 03 de maio, criando entre todos o pesadelo de um golpe militar. Bolsonaro não tem limites. Atenta contra a democracia e boicota o isolamento social.  Diz “a Constituição sou Eu”, “quem manda sou Eu” e gosta de perguntar “e daí?”. 

Mesmo com todas as barbaridades que têm feito, Bolsonaro segue com os aplausos de uma minoria. Alguns são dominados pelo fanatismo e são agressivos com jornalistas e profissionais da saúde.

Bolsonaro quer mudar o regime e governar sem as instituições democráticas. Avança e recua. Testa limites. As Forças Armadas e o Congresso Nacional estão fazendo de conta que nada está acontecendo. Até quando as instituições democráticas vão deixá-lo avançar?

Está na hora das Forças Armadas desembarcarem desse governo pena de correr o risco de uma imensa e histórica desmoralização. 

As forças democráticas precisam se impor. Não podemos, depois de tão pouco tempo do fim do triste período da ditadura, retroceder no processo civilizatório. Isso não vai acontecer. A nossa democracia vai resistir. Depois desse pesadelo todo, quando Bolsonaro se for de vez, diremos à toda voz: “Bolsonaro nunca mais”.

Bolsonaro em ato antidemocrático no dia 26 de abril.
Bolsonaro participando de ato antidemocrático no último dia 03/05.

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