A tradição multilateral da nossa diplomacia

Rui Barbosa foi uma figura nacional por excelência e foi chamado de “Águia de Haia” por ter ajudado a tornar o Brasil um país multilateral, na Segunda Conferência de Haia, em 1907, quando defendeu o princípio da igualdade legal das nações.

As bases e os princípios defendidos por Rui Barbosa, entre outros, foram consolidados anos depois, já no final da Segunda Guerra Mundial, com a formação da ONU.

Pois bem. Muitas têm sido as declarações do governo eleito que colocam em risco a tradição multilateral da diplomacia brasileira. 

A mais recente foi o “desconvite” aos governos da Venezuela e de Cuba para a posse de Bolsonaro. Tudo bem, p. ex., que Maduro não merece consideração, mas o amadorismo na situação é se esquecer que em política externa esses convites são protocolares e não são destinados às pessoas, mas aos representantes dos governos. 

Se fosse somente pelo cunho ideológico, o Brasil teria que “desconvidar” muitos outros, como a China, Vietnã, Filipinas, Turquia, Russia, Polônia, Hungria, Nicarágua, quase todos os países árabes, além de vários países africanos. 

Diplomatas e ex-ministros dizem que este tipo de conduta gera antipatia, cria problemas desnecessários na diplomacia e nas relações internacionais. 

O Brasil precisa é atrair simpatias, abrir horizontes, fortalecer a cooperação internacional e facilitar negócios nas relações comerciais. Não somos fortes, como são os EUA, para nos isolarmos apenas com alguns países. 

O experiente jornalista Clovis Rossi observou que “a ignorância de Bolsonaro em política externa é constrangedora”… 

Parece que os ensinamentos de Rui Barbosa, Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Oswaldo Aranha e tantos outros pioneiros em política externa vão fazer muita falta.

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