A importância do luto

O desastre causado pela Vale me fez refletir sobre a importância do luto, da despedida eterna, do derradeiro abraço.

Vivi a impossibilidade do luto presencial por duas vezes. A primeira em 2006, quando faleceu o meu pai, e em novembro do ano passado, quando repentinamente morreu o meu irmão Luiz, mais velho que eu. Nas duas situações eu estava em missão fora do país e não pude me despedir deles. O apoio dos familiares e amigos foi essencial naqueles momentos de impotência e extremo sofrimento. Posso garantir: não dar o último adeus presencial àqueles que mais amamos dói muito e é uma dor que volta de vez em quando.

Depois do luto presencial e da despedida, a tristeza vai passando aos poucos; transforma-se em saudades e boas lembranças. O nosso repertório emocional se readapta, transitando de um intenso sofrimento de dor, para outro mais alegre e suave. 

Contudo, pior do que não viver o luto presencial, é não encontrar o corpo do ente querido para fazê-lo, como na tragédia em MG. O sofrimento de uma família que ainda não encontrou o corpo, ou jamais vai encontrá-lo, é uma dor atroz que se prolonga no tempo; não cessa tão cedo, ou jamais cessará. 

Para piorar o sofrimento, nesses casos os familiares ainda precisarão obter judicialmente a declaração de “morte presumida”, para que o morto seja efetivamente declarado como morto, com aumento da dor de cabeça, da burocracia, da revolta, e claro, da dor espiritual. 

É lógico que qualquer que seja a situação, o que mais conforta é se você viveu intensamente com o ente querido e fez tudo o que tinha que fazer com ele. Mas dar o último adeus sempre é essencial para uma boa despedida e para a paz no espírito. 

O fato é que a estas alturas os mortos já estão em paz. Que a paz fique no coração dos familiares que estão vivos.

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