Quarenta anos da morte de Lennon

John Lennon faz muita falta, principalmente para nós que passamos a nossa juventude apaixonados pelos Beatles em geral, e por Lennon, em especial. 

Faz 40 anos que ele morreu. Uma morte que chocou o mundo e ainda deixa triste todos os seus fãs. 

Eu nunca o endeusei, mas ele era muito especial. As suas canções nos trazem de volta os sorrisos perdidos e as esperanças que se foram. 

Nesse mundão intolerante e conflituoso, o que seria de nós se não fosse a existência, ainda que breve, dos poetas, dos loucos, dos pacifistas e dos românticos, como John Lennon, um ser do outro mundo?

Que falta nos faz o John sonhador, que com o idealismo das suas letras ousava, provocava, ensinava e construía espaços e caminhos para um mundo mais pacífico. 

John trouxe luz para o mundo e elas ainda iluminam as noites sombrias.

“Quando a noite chegar
e a terra ficar escura
e o luar for a única luz que se vê,
não, não vou ter medo.
Oh, eu não vou ter medo,
enquanto você ficar comigo…”

À época, no trágico dia, eu era um jovem adolescente apaixonado pelos Beatles. Era difícil compreender o significado daquele acontecimento trágico, que foi o assassinato de Lennon na porta do seu prédio, o edifício Dakota, em Nova York. Lembro-me que muitos fãs suicidaram.

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Elton John era amigo de John Lennon. Ele é padrinho de Sean, um dos filhos de Lennon. Ele traduziu a enorme perda na canção Empty Garden.

And I’ve been knocking, but no one answers. And I’ve been knocking, most all the day. Oh, and I’ve been calling “Hey, hey, Johnny!” Can’t you come out to play? “E eu estou batendo, mas ninguém responde/E eu estou batendo, a maior parte do dia/Oh, e eu estou chamando: “Ei, ei, Johnny!”/Você não pode sair para tocar?”

Saudades Lennon.

O elogio petista ao populismo autoritário de Maduro, na Venezuela

O governo Maduro é indefensável e governa uma Venezuela totalmente arruinada. Tenho amigos venezuelanos e os relatos do que se passa por lá são simplesmente assustadores.

O chavismo e o populismo autoritário de Maduro levaram aquele país ao caos. As perseguições políticas têm causado uma enorme tragédia imigratória e uma crise humanitária, com gravíssimas violações de direitos humanos. A economia da Venezuela está arruinada, com uma enorme hiperinflação. Atualmente mais de 80% das pessoas precisam da ajuda do Estado para sobreviver.

Fui colega de uma venezuelana que trabalhou comigo na OEA e ela produziu relatórios internos para a OEA sobre a situação de seu país. Tudo está muito dramático. O populismo ditatorial de Maduro faz manipulações eleitorais e eleições fajutas para se manter no poder. 

Bem, posto isso, é absolutamente inacreditável e incompreensível que o PT ainda apoie defenda e elogie oficialmente a ditadura de Maduro na Venezuela.

Em nota oficial, depois das eleições legislativas do último domingo (06/12), o Partido dos Trabalhadores expôs sua solidariedade ao governo do país vizinho. A presidente do partido Gleisi Hoffmann disse que “a realização das eleições é a resposta democrática aos golpistas que conspiram, dentro e fora do país, contra o governo constitucional e o processo de transformação iniciado pelo ex-presidente Hugo Chavez”.

Que horror! A que ponto chegou o PT. A ideologia é mesmo uma droga terrível. O PT está cultivando pretextos para que os seus partidários sejam acusados de extremistas, retroalimentando o discurso da simetria com Bolsonaro.

Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores continua em acelerado declínio.

Os perdedores das eleições municipais de 2020

O Partido dos Trabalhadores foi o grande perdedor nas eleições municipais. Levou uma surra, a maior da sua história. Não ganhou em nenhuma capital. Em número de prefeituras, ficou atrás de diversos partidos, como MDB, PP, PSD, PSDB, DEM, PL, PDT, PSB, PTB e Republicanos. 

Em todas as eleições municipais que disputou, desde a redemocratização, o PT sempre ganhou ao menos uma capital de estado. Em 2020 o PT não ganhou nenhuma (conforme quadro abaixo).

Em 2012, o PT elegeu mais de 5 mil vereadores pelo Brasil; em 2016, o número caiu para 2.815 e em 2020, foram 2.665.

Contra números tão evidentes não há argumentos. O PT se saiu muito enfraquecido. Recebeu o claro recado das urnas. Olhando de fora, é interessante que, ainda assim, o partido que elegeu quatro vezes um presidente, não se reinventa, nem faz autocrítica; parece que não pensa novas estratégias para esse cenário tão adverso.

Também continua enfraquecida a esquerda, de forma geral. Todos precisarão se reinventar, se quiserem reconquistar a confiança do povo. O fato é que vem diminuindo o espaço, nos tempos atuais, para a esquerda de matriz marxista-revolucionária, como o PT, o PSOL, os partidos com ideologias comunistas (PCO, PCdoB, PSTU, UP, PCB). Aliás, sejamos minimamente sensatos: possuir “comunista” no nome, em pleno século XXI, só afugenta as pessoas e municia os adversários. 

Outro ponto de equívocos da esquerda tradicional é aceitar e passar pano para os populismos autoritários de esquerda. Não se pode atacar os populismos-autoritários de extrema-direita, e tolerar, quando não elogiar, os neopopulismos de esquerda, como o regime de Maduro na Venezuela ou de Ortega na Nicarágua. Verdadeiros democratas são contra os populismos e ponto final. 

Contudo, nessas eleições o PT não foi o único perdedor. Jair Bolsonaro também perdeu como cabo eleitoral. A extrema-direita perdeu feio. Junto com ela, também perderam os discursos antipolítico e anti-sistema. A experiência de votar em malucos e aventureiros deu errado. Tivemos uma eleição normal, sem negacionismos, sem terraplanismos, sem a ideia de acabar com quem está aí. 

Quem usou a retórica bolsonarista perdeu e isso traz um certo alívio. O bolsonarismo ainda será visto como uma triste página de um momento delirante da cena política nacional. 

Nessas eleições tivemos o retorno do bom senso, do pragmatismo. E quem ganhou foram os partidos de direita, travestidos de partidos de centro. Goste-se ou não, houve o fortalecimento política tradicional.