Pelé, o gênio reverenciado

O rei Pelé, nascido em 23 de outubro de 1940, fez 80 anos. Até o imortal Pelé envelhece…

Há alguns anos havia perdido o encanto pelo Edson Arantes do Nascimento, por conta dele nunca ter dado a mínima atenção para a sua filha Sandra, com quem ele travou longa batalha judicial, mesmo depois dela ter provado na Justiça que ele era o pai, num triste exemplo de abandono paterno.

Mas essa é outra história. Um é o Edson e outro é o Rei Pelé, autor de 1281 gols. Cada vez que vejo um gol dele, eu me apaixono mais pela leveza com a bola e com as habilidades do rei do futebol arte. Pelé, o nosso jogador majestoso que inspira milhões de jovens mundo afora. Pelé, símbolo do que sempre tivemos de melhor, que é o futebol-arte.

Lembrei-me de uma pequena história que certa vez ouvi sobre ele, em algum lugar.

Consta que em 1966 Pelé foi recebido pelo Papa Paulo VI, um papa muito conservador, que somente recebia Chefes de Estado, mas fez uma exceção para receber o “Rei do Futebol”.

Na recepção organizada pelo Vaticano, Pelé estava nervosíssimo e não conseguiu conter as suas emoções ao encontrar-se com Sua Santidade. 

Segundo a lenda, o Papa percebeu o nervosismo de Pelé, aproximou-se do então jovem rei do futebol e disse a ele algo assim: “não se preocupe e nem fique nervoso. Você não imagina como também estou feliz e emocionado em conhecê-lo”, concluiu o reservado Papa.

Rei é Rei… 

A vacina e os mentalmente infectados

Há cerca de duas décadas tive um caso na promotoria de uma família que se recusava a dar vacinas para os dois filhos pequenos. Os pais simplesmente alegavam que as vacinas faziam mal. 

Dialoguei com eles e nada. Apelei e dei o exemplo de um senhor que eu conhecia, que se arrastava pelas ruas com as mãos, depois das graves sequelas de uma paralisia infantil. Mas nada os convencia. Somente cederam depois da ameaça de serem legalmente responsabilizados pela negligência com os filhos.

De lá para cá o movimento antivacina cresceu, a ignorância ganhou vez e voz, e o negacionismo chegou ao poder, colocando sob suspeita uma das grandes conquistas científicas da humanidade no último século. 

Pela primeira vez, em quase 20 anos, o Brasil não atingiu a meta para nenhuma das principais vacinas indicadas a crianças de até um ano, conforme dados de 2019, do Programa Nacional de Imunizações.

Nesta semana Bolsonaro desautorizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e declarou que não vai comprar a “vacina chinesa”, referindo-se à futura vacina Sinovac/Instituto Butantan. O Instituto Butantan é uma instituição com mais de 100 anos de sólidas pesquisas e sempre forneceu vacinas ao Ministério da Saúde.

Como sempre, é possível que seja mais uma bravata, e o presidente não cumpra a sua promessa. De qualquer forma, mais uma vez ele assume um posicionamento criminoso e insano. 

Tudo isso ocorre mais de um século depois da Revolta da Vacina, motim popular ocorrido em 1904 na então capital Rio de Janeiro. Esse motim popular tinha, além da questão da vacina, outras causas mais profundas, mas a que mais se destacou na história foi a revolta diante da obrigatoriedade da vacinação contra a varíola.

A história não se repete, mas deveria pelo menos ensinar. Mais de 100 anos depois, ainda são muitos os mentalmente infectados que se revoltam contra as vacinas. A começar pelo presidente, que mandou o povo ignorar a quarentena, recomendou remédio inútil e agora boicota a futura vacina contra a Covid.

Bolsonaro disse que acabou com a Lava-Jato

“Eu acabei com a Lava Lato, porque não tem mais corrupção no governo” disse há alguns dias o presidente. É mais um comentário da série “me engana que eu gosto”, do presidente que se elegeu no embalo da Lavajato.

Tudo bem que o lavajatismo tem lá os seus problemas e excessos, mas o que Bolsonaro tem feito é desmontar ou enfraquecer as estruturas estatais. 

Bolsonaro nomeou um PGR fora da lista tríplice e alinhado com a política de enfraquecimento das investigações; tem feito o controle político da Polícia Federal; desmontou o COAF; faz interferências na Receita Federal; nomeou um ministro do STF indicado pelo Centrão e está numa ótima fase com Tóffoli e Gilmar Mendes. 

O pessoal do Centrão, que também rima com Mensalão e Petrolão, está feliz da vida. Até Renan Calheiros (quem diria) tem defendido a atitude de Bolsonaro. Novidades? Claro que não. Bolsonaro veio do baixíssimo clero e conhece bem como funciona a velha política do familismo, do nepotismo, das rachadinhas, das boquinhas públicas, dos assessores fantasmas, dos laranjais, dos diplomas falsificados, dos pagamentos em espécie. 

Para o bolsonarismo esses práticas não significam corrupção. Para o Código Penal sim. Lá estão os verdadeiros significados: corrupção, peculato, desvio de dinheiro, lavagem de dinheiro, organização criminosa.