A Terra é plana ou redonda?

A Terra é plana ou redonda? Depende. Numa visão reducionista, ela é plana; basta olhar o chão que pisamos. Vista do espaço, numa visão mais ampla, ela é redonda. Juntando-se as duas visões ela é plana e redonda.

De tanto que se fala em Terra plana, dei bola para a história e fui ver no Twitter. É incrível como essa discussão é levada a sério pelo tal “guru” do governo e seus seguidores. Basta ver a sua página oficial e os últimos twittes para comprovar. 

Seis séculos antes de Cristo o geógrafo Anaximandro já dizia que a Terra não era sustentada em nada, pois senão precisaríamos explicar onde esta coisa se sustentava, cada suporte exigiria outro suporte, e assim indefinidamente. Isto muito antes de Copérnico desenvolver a teoria heliocêntrica do Sistema Solar, no século XVI.

O problema não é o “guru” acreditar, ou desconfiar que a Terra seja plana, pois ele pode acreditar no que quiser. O problema é tanta gente acreditar nele, sobretudo graduados de um governo que comanda quase 210 milhões de pessoas. 

Muitos dizem que este tipo de discussão é apenas um atalho para rejeitar a ciência e sustentar a ideia de antiglobalismo. Seja lá o que for! É simplesmente inacreditável que tudo isto esteja ocorrendo. 

O barão de Itararé dizia que “este mundo é redondo, mas está ficando cada vez mais chato”. E não há dúvidas que podemos acrescentar: mais estranho, mais enlouquecido, mais ignorante!

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Foto da Terra feita pela estação espacial da NASA.

Como é bom vivenciar coisas boas!

O mundo está mais para prosa do que poesia, mas o gostoso é que a vida é feita de bons momentos, de sabores e coisas simples que vamos fazendo no dia-a-dia da nossa jornada; alguns vão ficando docemente na nossa memória. Fiz uma pequena relação:

Saborear com calma a comida especial da mamãe ou da vovó; ouvir o barulho da chuva; esquecer um pouco da política; ler um bom livro; ouvir as canções que mais gostamos, deitados numa rede; sentir o cheiro da terra molhada; dar e receber um abraço afetuoso numa pessoa querida; fechar os olhos e lembrar do primeiro beijo da pessoa amada; comer pão francês quentinho no café da manhã; ser atendido por uma pessoa muito educada; namorar gostoso num lugar especial e romântico, eternizando momentos felizes; receber conselhos de uma pessoa mais idosa e sábia; acordar mais tarde num sábado de outono e ver que o céu está azul; jogar fora os sentimentos ruins ou inúteis e ficar com os bons; achar uma nota de 100 reais no bolso de um casaco que há tempos você não usava; observar as nuvens esparsas flutuando no céu, numa tarde de domingo; saborear uma colher de doce de leite cremoso; dizer “eu te amo” de forma sincera; falar sozinho e, se for preciso, xingar, falando sozinho; assistir a um bom clássico de futebol; viajar e depois, cansado, voltar para casa e relaxar; ver uma borboleta colorida voando suavemente próximo de nós; apreciar um jardim imensamente florido; ver uma fotografia antiga; estar “vivinho da silva” e dar “gracias à la vida” simplesmente por isso. E é claro, tem muito mais… Viver é bom!

Integração das ciências humanas e tecnológicas

Se alguém ainda duvida da importância das ciências humanas para a tecnologia, deveria ler o livro “Os Inovadores – Uma Biografia da Revolução Digital”, de Walter Isaacson, que conta a incrível história das invenções da era digital.

O livro aborda os trabalhos em grupo e os avanços coletivos que levaram invenções do último século, desde os primeiros computadores até todas as transformações da internet.

Enquanto no Brasil as ciências humanas são desprezadas e muitos discutem se a Terra é plana, o livro mostra que as invenções revolucionárias da era digital somente foram possíveis com parcerias e total integração das ciências humanas e tecnológicas, que resultaram em muita criatividade coletiva.

Conforme as palavras do próprio autor Isaacson, as grandes invenções envolveram “valores, intenções, julgamentos estéticos, emoções, consciência de si e um senso moral. São coisas que as artes e as ciências humanas nos ensinam, e essa é a razão de essas áreas serem tão valiosas como parte da educação como a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática”.

O livro conclui com a necessidade de respeitar as humanidades e as ciências tecnológicas, entender como elas se cruzam, pois na fusão delas resulta o florescimento das invenções e da criatividade. 

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E.T. O genial Steve Job (foto), nos lançamentos dos seus últimos produtos, também defendia a interseção de humanidades e ciências tecnológicas, conforme ele mostrava através de uma placa de rua.