Um pequeno instante cheio de eternidade

No final da tarde contemplei a árvore que vejo do apartamento onde estamos morando. É uma grande árvore; não sei o seu nome, mas admiro a sua imponência e beleza.

Num mundo cheio de prosa somos convidados a viver com mais contemplação e poesia; respirar um pouco, fazer pequenas fugas. 

Apreciei a grandiosidade daquele instante. Soprava um vento leve que vinha de longe e suavemente balançava as folhas da árvore. 

Numa rua mais distante eu escutava algumas crianças brincando com alegria, deixando o mundo com mais esperança.

O ar estava fresco e no horizonte o céu ficava avermelhado; havia muita luz e algumas poucas nuvens se afastavam.

O sol se escondeu aos poucos; as suas luzes foram filtradas pelas folhas da árvore, iluminando a minha face no final do dia…Foi um pequeno instante, cheio de eternidade.

“Eu moro em mim mesmo”


Mário Quintana foi um grande poeta, dos mais admiráveis que o Brasil já teve. Vivia sozinho, não se casou e nem teve filhos. 

Viveu boa parte da vida em hotéis. Um deles, o Majestic, se tornou patrimônio histórico e hoje é o “Centro Cultural Mário Quintana”, em Porto Alegre.

Reza a lenda que certa vez o grande jogador Falcão soube que Quintana estava com dificuldades financeiras e ofereceu-lhe um quarto num hotel que ele possuía, desculpando-se pelo tamanho do quarto. 

O sábio Quintana respondeu: “Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder minhas coisas”.

Essa filosófica frase “eu moro em mim mesmo” contém a essência do autoconhecimento, da compreensão de si mesmo e da totalidade da nossa existência. Para refletirmos, pois é simplesmente genial!

Nazismo de esquerda

O nazismo não é de esquerda. Nos meios diplomáticos, acadêmicos e políticos internacionais ninguém cai na teoria fantasiosa do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, endossada por Bolsonaro, de que o nazismo foi de esquerda. 

Tanto na Alemanha como em Israel o partido liderado por Hitler é ensinado nas escolas como de extrema-direita, fato que sempre foi confirmado pelos historiadores. 

Os alemães nunca esconderam a sua história. No ano passado o embaixador alemão no Brasil, Georg Witschel, disse que a discussão sobre nazismo de esquerda não tem fundamento e somente pode ser explicada por ignorância ou desonestidade.

Ele afirmou que “não faz sentido jogar a culpa e a responsabilidade do Holocausto em uma determinada tendência política. Foram os nazistas. Com certeza não foram os socialistas”.

Hitler odiava a esquerda e, como lembrou o embaixador, entre as primeiras vítimas do regime nazista estavam os membros de partidos de esquerda, como os sociais-democratas e os comunistas.

A filósofa Hannah Arendt, no clássico livro “Origens do Totalitarismo”, analisa a ascensão dos dois principais regimes totalitários da nossa era: o nazismo, de extrema direita, e o comunismo stalinista, ambos regimes ditatoriais que vitimaram milhões de pessoas

Dizer o contrário é espalhar fake news e negar a história.