Sérgio Vieira de Mello: um exemplo de homem público

 

Fez 15 anos da morte de Sérgio Vieira de Mello, atingido por uma bomba, em 19 de agosto de 2003, quando atuava no Iraque representando o então Secretário Geral da ONU.

Eis um brasileiro que precisa ser mais conhecido e referenciado nos livros de história. Pela ONU ele atuou nas mais difíceis missões que se pode imaginar, em diversos países, entre eles Kosovo, Bangladesh, Cambodja, Timor Leste e Iraque.

A sua mais difícil e bem sucedida missão foi em Timor Leste, quando foi administrador provisório da ONU entre 1999 e maio de 2002, onde realizou um inacreditável trabalho, num país dividido e que vivia uma delicada situação pós-conflito.

Conheci o seu trabalho e passei a admirá-lo quando fui em missão para Timor, já depois da sua morte. Lá fiquei sabendo que por ocasião do seu falecimento o povo timorense fez uma longa vigilia na rua da embaixada brasileira, em Dili, pedindo que ele fosse sepultado em Timor, tamanho era o carinho e a gratidão que os timorenses tinham por ele.

Com espírito agregador, ele sabia escutar e tinha muita habilidade na construção de diálogos difíceis. A sua filosofia de trabalho era sempre “nós e eles”; nada de “nós ou eles”.

Num mundo dividido, e com muitos líderes que querem resolver as coisas com base no radicalismo e na violência, o exemplo de Sérgio Vieira de Mello é uma luz, um farol na escuridão. Ele deixou um grande legado de ações concretas em prol dos direitos de todos e de um mundo mais justo.

Quando todas as situações pareciam perdidas, com o seu poder de ideias e de luta, ele conseguia levar força, resiliência e esperança para as pessoas. Destemido, lutou até morrer em busca da paz, levando soluções para o enfrentamento da pobreza, da desigualdade, da corrupção e da violência.

A humanidade agradece a existência de homens como Sérgio Vieira de Mello, uma referência para todos, principalmente para os nossos políticos.

A felicidade

Depois de uma longa reclusão, nesta missão em Honduras, aproveitamos o fim de semana para conhecer a cidade de Amapala, uma ilha do Oceano Pacífico, no sul de Honduras.

É um local paradisíaco, mas como é uma região vulcânica, as praias são mais escuras e não têm a mesma fama que as praias do norte do país.

Foi uma bela experiência, conhecer um local pequeno, com as pessoas vivendo de forma simples, morando em casas humildes, muitas dormindo em redes e sempre sorrindo.

Com o mundo cheio de horríveis problemas, até parece que o povo daqui desconhece o que é ter problemas. Eles têm o mar calmo, os frutos do mar, a beleza da vida e tudo o mais que o ser humano precisa para viver bem.

Foi bom conversar com as pessoas da terra, sentir a frescura do vento sussurrando nas árvores, ver os meninos descontraidamente jogando bola na praia, apreciar as ondas batendo nas pedras e foi uma delícia o deslumbramento com o belo entardecer, quando surgiam as primeiras estrelas.

Nessas horas, com momentos tão singelos e profundos, não temos dúvidas: a felicidade pode ser bem mais simples do que sempre esperamos!