As encruzilhadas da vida

Ao longo da vida precisamos fazer escolhas, tomar decisões complexas, pegar ou não novos e incertos caminhos. Nas encruzilhadas mais difíceis os dilemas sempre surgem.

Para a tomada de decisões vale de tudo: fé, orações, promessas, pedidos de ajudas aos deuses que habitam as encruzilhadas (locais sagrados para alguns povos), a ajuda dos espíritos e há aqueles que simplesmente seguem o “coração”.

O grande Benjamin Franklin tinha interessante método para tomar decisões difíceis, conforme narrou o seu biógrafo Walter Isaacson (“Benjamin Franklin, Uma vida americana”, Cia das Letras): com uma linha ele dividia uma folha de papel em duas colunas e escrevia no topo “prós” e “contras”. Em seguida listava os argumentos de cada lado e o peso de cada um. Se os argumentos parecessem iguais ele riscava os dois; se houvesse uma razão “pró” e duas “contra” ele riscava as três. Ou seja, ao final, ele sempre queria que a decisão dessa balança pesasse a favor da mudança, pois afinal é ela que nos leva a novos, desafiadores e interessantes caminhos.

De qualquer forma não é possível ficar para sempre numa encruzilhada: entre ficar no mesmo caminho ou pegar um novo, tudo pode valer a pena. Muitos preferem a zona de conforto; outros têm a disposição para os novos desafios, mesmo com os riscos.

Difícil? Não tanto, desde que o nosso espírito esteja disposto a esquecer o caminho não escolhido.

Livraria

Não existe maior prazer no mundo do que entrar numa livraria e se perder no meio dos livros. Contudo, para os mais velhos visitar as livrarias já foi melhor. Tínhamos ótimos livros por todos os lados. Era Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Clarice Lispector, Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Cecília Meireles, Camus, Hemingway, Balzac, Dostoievski e por aí afora, com tantos outros autores clássicos.

E agora, onde estão esses livros? Estão quase escondidos nas prateleiras. Fora as exceções, que confirmam a regra, o que temos expostos logo em primeiro plano são as pilhas de best-sellers, textos de youtubers, escritos dos blogueiros, além de outras obras editoriais superficiais ou de qualidade duvidosa.

A variedade de livros superficiais (ou supérfluos?) é grande: livros com ideias prontas; outros com soluções certas para os mais variados problemas; publicações com letras grandes, ilustrações e vocabulário insignificante e por aí vai. Muitos desses livros servem apenas para atrair a atenção, com textos que não levam ao conhecimento e à reflexão.

Claro que é melhor ler esses livros do que nada ler, mas assim fica difícil formar bons leitores.